Outdoor
colocado em Santa Catarina, em 2003, por entidades de defesa
dos animais

Farristas
desafiam a polícia em Florianópolis
01/05/03
Diário Catarinense
Cerca
de 30 pessoas, incluindo mulheres e crianças, participaram
de uma farra do boi no bairro do Sambaqui, em Florianópolis,
nesta quinta, dia 1† de maio. A brincadeira, que é
proibida por lei, durou cerca de 13 horas. A Polícia
Militar esteve no local por diversas vezes e não conseguiu
deter os farristas, que estavam na Reserva de Carijós,
área de preservação ambiental e de difícil
acesso. Policiais tentaram, com alto-falante, convencer os
farristas a entregar o animal mas não tiveram sucesso.
- Eles
nos pegaram de surpresas e sem o material adequado, não
conseguimos chegar até o local da farra no meio do
mangue - justificou o capitão Daniel da Silva Filho,
responsável pela Central de Operações
da Polícia Militar.
Farra
do Boi acaba com 16 presos em Santa Catarina
Sábado, 19 de abril de 2003, 10h35
Jornal do Brasil Online
Dezesseis pessoas foram presas na madrugada de hoje por participarem
de uma farra do boi em Navegantes, município localizado
a 80 Km ao Norte de Florinaópolis. O boi, que estava
sendo perseguido pelos farristas, foi abatido por policiais.
"Ele estava muito cansado e machucado, com os chifres
quebrados e sangrando muito", informou o sargento da
Polícia Militar Adalberto Geodert.
Ainda
segundo o militar, foram disparados rojões e fogos
de artifício para conter a irritação
dos farristas com a intervenção da polícia.
Cerca de 800 pessoas se armaram com paus e pedras para enfrentar
os policiais. Dois policiais ficaram feridos. Entre os presos
estão alguns adolescentes. Dezesseis viaturas da PM
foram utilizadas na operação.
O confronto
entre farristas e policiais começou por volta das 23h30
desta sexta-feira e só terminou na madrugada de hoje,
com o boi utilizado na farra morto pelos policiais. Na localidade
do Pontal dos Navegantes, litoral Norte catarinense, a polícia
não conseguiu impedir uma farra do boi. Segundo a PM,
o grande número de participantes impediu a chegada
dos policiais ao local. A farra do boi é proibida no
estado desde 1997 por determinação do Supremo
Tribunal de Justiça. O governo estadual colocou à
disposição um grande número dos efetivos
civil e militar para a sua repressão, com o bloqueio
de estradas para impedir o transporte dos animais e o policiamento
ostensivo em locais onde tradicionalmente a farra do boi é
realizada.
A farra
do boi é um costume dos moradores do litoral de Santa
Catariana durante o período de Páscoa. O boi,
segundo a cultura popular, representa o apóstolo Judas
que teria traído Jesus Cristo.
Polícia
de SC vai coibir farra do boi com rigor
Sexta, 18 de abril de 2003
Fonte: Agência BRASIL
As polícias
Militar e Civil de Santa Catarina estarão mobilizadas
até às 18h de segunda-feira na Operação
Farra do Boi. As ações incluem rondas ostensivas
e barreiras nas estradas para controlar o transporte dos animais.
Apesar
de o Supremo Tribunal Federal ter proibido a realização
da farra do boi em todo o país, desde 1997, alegando
tratar-se de uma prática cruel, muitos catarinenses
ainda participam dessa tradição açoriana,
especialmente nas cidades litorâneas, onde houve reforço
do efetivo policial para coibir a"brincadeira".
A polícia agirá com rigor, apreendendo os animais
e encaminhando os envolvidos para as delegacias, informam
os comandos.
PM
vai aumentar fiscalização para evitar farra
do boi
clickrbs 17/04/03
A Polícia
Militar (PM) promete intensificar a Operação
Farra do Boi no Estado a partir desta quinta, dia 17. Em Florianópolis,
haverá rondas nos bairros onde há maior probabilidade
de ocorrência da prática proibida por lei
Ingleses, Santinho, Rio Vermelho, Pantanal, Córrego
Grande, Lagoa da Conceição e Barra da Lagoa.
Há
quatro barreiras montadas em pontos estratégicos, uma
na entrada da Ilha de Santa Catarina e outras no interior
do município, para verificar a passagem de caminhões
carregando bois. A Companhia Integrada para o Desenvolvimento
Agrícola de Santa Catarina (Cidasc) suspendeu provisoriamente
a emissão de guias de transporte de carga viva para
evitar o uso do animal em farras.
Quem for
pego praticando a farra, será encaminhado à
delegacia e responderá pela prática de crime
ambiental, com pena prevista de até um ano de prisão.
Neste caso, o boi será apreendido e doado a alguma
instituição de caridade. A Operação
Farra do Boi termina na segunda, dia 21.
Trio
é detido por transportar boi para farra
17/04/03
Diário Catarinense.
Três
homens foram detidos na manhã deste sábado,
dia 19, na SC-409, em Governador Celso Ramos, Grande Florianópolis,
durante barreira policial para controlar a participação
de pessoas na farra do boi.
Conforme
o tenente da Polícia Militar de Biguaçu, Sandro
Nunes, os acusados presos estavam levando um boi na carroceria
do caminhão. P.C.A., 36 anos, A.J.S. 20, e R.A.B.,
19, prestaram depoimento na Delegacia de Polícia de
Biguaçu e logo depois foram liberados. Eles deverão
responder processo por indício de participação
na farra do boi, disse o tenente. A prisão foi motivada
pela falta de uma Guia de Transporte Animal (GTA), documento
que é fornecido pela Companhia Integrada de Desenvolvimento
Agrícola de Santa Catarina (Cidasc). O animal apreendido,
que tinha aproximadamente dois anos de idade, foi recolhido
à Cidasc onde será abatido e, posteriormente,
distribuído para entidades filantrópicas.
De acordo
com o tenente, dois dos três homens detidos residem
em Governador Celso Ramos, município que mantém
forte a tradição de origem portuguesa. O terceiro
envolvido no caso mora em Tijucas. Além da barreira
montada na SC-409, a Polícia Militar mantém
um posto de controle até o próximo dia 22 na
SC-410.
Somente
entre os dias 17 e 19 de abril, a PM registrou 33 casos de
farra do boi na Grande Florianópolis. Às 23h20min
de sexta-feira, um grupo de farristas foi identificado na
Praia de Gamboa, em Paulo Lopes. Quatro viaturas da PM foram
deslocadas até o local, mas o grupo escapou antes da
chegada dos veículos.
Carne
apreendida na Farra do Boi é doada em SC
Quarta, 16 de abril de 2003, 17h19
JB online
Carne apreendida na Farra do Boi é doada em SC O governo
de Santa Catarina doou, hoje à tarde, 120 quilos de
carne bovina para a creche Alfa Gente, no bairro de Estreito,
em Florianópolis. A carne foi de um animal apreendido
em uma Farra de Boi realizada domingo último no bairro
de Ingleses, na Zona Norte de Florianópolis. O animal
foi apreendido pela Polícia Militar quando estava sendo
perseguido por 50 farristas. Os policiais encaminharam o animal
para a Companhia Integrada de Desenvolvimento Agrícola
de Santa Catarina.
A creche
Alfa Gente, atende 400 crianças e adolescentes carentes,
que será utilizada para a alimentação
das crianças. A coordenadora da creche, Clarita Jáder,
disse não se incomodar da carne ser de um boi aprendido
em uma Farra do Boi. "Comida chega sempre em boa hora.
As crianças daqui são muito carentes",
disse.
A Farra
do Boi é uma prática realizada no litoral de
Santa Catarina durante os festejos de Páscoa e envolve
crianças, adultos e idosos que perseguem o boi até
este chegar a exaustão. É frequente o uso de
pau e até barras de ferro para atiçar o animal.
Os farristas costumam também jogar areia nos olhos
do boi para torná-lo mais bravo e, com isso, correr
atrás do grupo.
Esse ano
a polícia reprimiu uma farra, onde o boi era incitado
mesmo estando com duas patas gravemente feridas. A Farra do
Boi é uma tradição trazida pelos colonizadores
vindos do Arquipélago dos Açores que se instalaram
na costa litorânea de Santa Catarina. A prática
está proibida por lei desde 1997, mas, mesmo assim,
só esse ano a Polícia Militar já registrou
62 Farras do Boi no Estado. Os municípios onde a prática
é maior são Florianópolis, Governador
Celso Ramos e Balneário Camboriú.
Farra
do boi reúne 50 pessoas em Florianópolis
Clickrbs 14/04/03
Cerca
de 50 pessoas participaram neste sábado, dia 12, de
uma farra do foi no Bairro Ingleses, no Norte de Florianópolis.
Segundo moradores da região da Rua do Futuro, a movimentação
dos farristas começou pela manhã. Nem com a
chegada da polícia, no começo da tarde, os ânimos
se acalmaram. Quatro pessoas foram presas por atrapalhar a
captura do animal por funcionários da Companhia Integrada
de Desenvolvimento Agrícola de Santa Catarina (Cidasc).
As informações são da RBS TV.
JORNAL
A NOTÍCIA - Santa Catarina - Domingo, 6 de abril de
2003 - GERAL -
Páginas A10 e A11
Manchete
de capa:
FARRA-DO-BOI RESISTE À LEI - Pratica há mais
de 200 anos, tradição mobiliza homens do litoral
de SC
EM
NOME DO BOI OU DA TRADIÇÃO ?
Marco
Aurélio Braga
Praticada
há mais de 200 anos no Estado, farra-do-boi resiste
a pressões, à lei e divide opiniões
Joinville
- A farra vai começar. A movimentação
e o número de pessoas aumentam a cada minuto. Foguetes
e buzinaços anunciam o que todos esperam. Chega o caminhão,
acompanhado de crianças de bicicletas, homens com garrafas
de cerveja na mão, gente afoita para ver o início
do que eles chamam de brincadeira. Vende-se cerveja, churrasco
e a música é alta. Num cercado de madeira -
uma espécie de arena, conhecido como mangueirão
- , centenas de homens e mulheres ficam empoleirados para
não perder nenhum detalhe. Vai começar a farra,
a polêmica farra-do-boi. Esta é a descrição
de uma atividade comum em Santa Catarina, que poderia ter
ocorrido em qualquer município do litoral. No entanto,
mesmo com mais de 200 anos de prática no Estado - durante
o período da Quaresma - a festa é proibida e
gera protesto de associações de proteção
aosanimais.
Os prós
e os contras embasam um duelo que já dura mais de 30
anos. Quem é contra tem a imprensa nacional e parte
da comunidade como grandes aliados. Há vários
defensores desta tese, que chama a atenção para
a morte e maus tratos aos bois.
Não
é difícil encontrar episódios de crueldade
e acidentes graves. Em 1997, no bairro Rio Vermelho, em Florianópolis,
a farra acontecia na rua. O boi era perseguido por cachorros,
crianças e homens. Já sangrando e desesperado,
o animal invadiu uma casa no momento em que oito pessoas de
uma família estavam almoçando. Houve pânico
e corre-corre. Quatro pessoas ficaram feridas. É comum
entidades de defesa dos animais divulgarem fotos de bois sem
as patas, sem orelha, sangrando devido a golpes de espetos
e garfos.
Por outro
lado, em defesa da prática há os admiradores
da tradição açoriana e do folclore. A
festa ou brincadeira, como gostam de chamar, é uma
forma de confraternização, alegria, momento
de festejar. O apego do açoriano, que colonizou grande
parte do litoral catarinense, à terra, levou-o a preservar
as chamadas brincadeiras de boi. As principais são
a Dança do Boi de Mamão, Boi de Campo, Boi de
Vara e a Farra-do-boi. Esta última é a manifestação
mais popular e tinha o objetivo de sacrificar o animal.
A origem
dessa manifestação remonta aos primórdios
do Estado português, entre o final do século
12 e início do século 13, durante os rituais
da Semana Santa, onde bois eram sacrificados em substituição
ao bode expiatório. A farra, certamente foi incorporada
ao rito por influência das touradas, já populares
naépoca. Trazida durante o período de colonização
pelos açorianos, ela resiste principalmente nas regiões
litorâneas de Santa Catarina.
A prática
recebe outras denominações como "brincadeira
do boi bravo", "boi do campo", boi na vara",
entre outros. Ela é realizada atualmente nos dias que
antecedem a Páscoa, quando grupos de famílias
ou comunidades compram um boi escolhido (bravo, arisco e corredor)
que, antes de ser abatido, é solto nos pastos provocando
correrias generalizadas, o que caracteriza a farra ou brincadeira.
CRUELDADE
Essa
manifestação cultural depara-se com uma enorme
pressão de ecologistas e outras organizações
que a consideram uma violência contra o animal. Em junho
de 1997, o Supremo Tribunal Federal (STF) proibiu a realização
da farra-do-boi. Os ministros alegaram que a farra não
é uma prática cultural e sim uma crueldade contra
o animal.
O antropólogo
Eugênio Lacerda, em dissertação de mestrado
na Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), sentencia
que "encarar a farra-do-boi como um ato de crueldade
coletiva ou como algo de que deve ser banido do povo, é
julgar não a farra em si, mas o povo que a faz e que
por isso também está sendo banido do direito
de preservar suas tradições."
CONOTAÇÃO
POLICIAL NO ANOS 80
Historiadores
e antropólogos que escreveram livros sobre a farra-do-boi
encontram explicação na cobertura da imprensa
ou no espanto dos "de fora" para a visibilidade
nacional da prática. Santa Catarina virava assunto
na mídia do País em dois aspectos: pela invasão
de argentinos e uruguaios na temporada de verão ou
pela farra-do-boi durante a Páscoa. A festa repercutiu
inclusive internacionalmente.
Na década
de 80 a farra entrou no cenário policial. Conforme
relato do livro"Cidade Dividida - Dilemas e Disputas
Simbólicas em Florianópolis", da antropóloga
Márcia Fantin, a atividade ganhou visibilidade justamente
a partir da intervenção de ecologistas e outros
intelectuais que a divulgaram no cenário nacional,
projetando-a como uma "festa bárbara e violenta".
As reportagens da imprensa nacional e estadual neste período
montam um cenário de crueldade.
Em outra
publicação, "A Farra-do-boi - Palavras,
Sentidos e Ficções", da historiadora Maria
Bernadete Ramos Flores, trechos de reportagens exaltando os
aspectos negativos da festa são destacados. Há
relatos de perigo à vida das pessoas, invasão
de domicílios, destruição de cercas,
árvores e do patrimônio público, além
de perfuração dos olhos dos animais.
Pressionado
por esse cenário até certo ponto macabro, o
então governador de Santa Catarina, Pedro Ivo Campos,
fez um decreto, em março de 1988, proibindo, com rigor,
a brincadeira. O que se viu, então, foram cenas ainda
piores de agressão, só que contra os seres humanos.
Houve
conflito, prisão e muita confusão. Jornalistas
catarinenses que cobriam o evento à época revelaram
a brutalidade da repressão policial. A farra havia
sido colocada na ilegalidade sob a afirmação
de que feria a Declaração Universal dos Direitos
dos Animais.
Maria
Bernadete Ramos Flores revela em seu livro um desses episódios
de marcaram a Semana Santa de 88 em território catarinense.
"Na manhã do dia 31 de março de 1988, os
jornais traziam a notícia da batalha travada entre
policiais e adeptos da farra-do-boi, na noite que se passaram
em Ganchos, colônia de pescadores a 50 quilômetros
de Florianópolis.
Cerca
de 200 homens da Polícia Militar invadiram a colônia,
mataram um animal que se destinava à farra, lançaram
bombas de gás lacrimogêneo e deram tiros de festim
contra mais de mil moradores. Revoltada, a população
atirou pedras e pedaços de pau contra os policiais
e perseguiu a equipe de imprensa. Embora quatro policiais
tenham sido feridos, o comandante do 7. Batalhão de
Polícia Militar declarou que seus homens ficariam no
local o tempo necessário para que fosse coibida a farra-do-boi.
O resultado da batalha, segundo a PM, divulgado na imprensa,
foi de 19 pescadores presos, 17 motocicletas apreendidas e
cerca de 10 feridos. Entre estes, Maria Antonia de 30 anos,
quatro filhos, atingida por uma bomba de gás lacrimogêneo
que lhe queimou as pernas, o que lhe custaria três meses
de cama e uma cirurgia plástica."
Uma forma
de humanizar a atividade e torná-la até certo
ponto mais leve, foi a idéia de realizá-la dentro
de mangueirões. Haveria então um padrão
comportamental, não havendo mais qualquer tipo de invasão
em domicílio e pessoas que desejassem enfrentar o boi
teriam que arcar com as conseqüências de um possível
acidente.(MAB)
ARTISTAS
E ECOLOGISTAS SE MOBILIZAM EM SC
Tradição
de desrespeito. A argumentação das entidades
e da comunidade que não defendem a farra-do-boi está
baseada principalmente na possibilidade de crueldade contra
o animal. A proibição da festividade foi seguida
de intensivas campanhas por parte da Associação
Catarinense de Proteção aos Animais (Acapra)
e de outras organizações nacionais e internacionais
de defesa dos animais. Houve até manifestação
pública de artistas, como a cantora Rita Lee e a atriz
Brigitte Bardot, duas ativistas da causa de defesa dos animais.
A guerra
dos ecologistas começou a ser vencida a partir de 1997.
Após muito debate e pressão por parte das entidades
veio a proibição da prática pela Justiça.
A farra-do-boi está proibida em território catarinense
por força de acórdão do Supremo Tribunal
Federal, que atribuiu a festa a conotação de
cruel. Assim, ela é considerada crime, com punição
de até um ano de prisão para que pratica, colabora,
ou - no caso das autoridades - omite-se de impedi-la.
A proibição
foi seguida por intensivas campanhas por parte da WSPA-Brasil
(World Society for the Protection of Animals), pela Associação
Catarinense de Proteção aos Animais (Acapra)
e Associação de Proteção aos Animais
(APA), em Florianópolis.
Em 1998,
houve diminuição no número de eventos.
A representante da WSPA no Brasil, Elizabeth Mac Gregor, afirma:
"O Brasil é um país onde as tradições
mudam muito lentamente e as leis não são cumpridas
como esperamos. Tendo isso em mente, temos que continuar pressionando
o Estado para que cumpra a Lei e promova programas educacionais",
ressaltou.
Há
três anos a Assembléia Legislativa do Estado,
através de um projeto de lei, tentou legalizar a farra-do-boi
em mangueirões, o que foi vetado pelo então
governador Esperidião Amin. No entanto, a crítica
era que o ex-governador não reprimia as festas.
ARGUMENTO
Em um
texto colocado no site www.farradoboi.org, os defensores dos
animais argumentam que a prática continua, com impunidade
e desrespeito à Constituição e às
autoridades. No mesmo texto, há referência à
herança de crueldade e violência contra os animais,
o que seria a verdadeira tradição da farra-do-boi.
( MAB)
Jovem
morre durante farra-do-boi
Corpo de pescador de Barra do Sul foi achado em riacho.
Em Penha, polícia coibiu atividade
Diogo Vargas
Jornal A Noticia 07-04-03
Balneário
Barra do Sul/Penha - A farra-do-boi terminou de forma trágica
ontem à tarde em Balneário Barra do Sul, Litoral
Norte de Santa Catarina. O pescador Paulo César da
Silva, 25 anos, foi encontrado morto onde acontecia a prática.
Ele saiu de casa por volta do meio-dia para participar da
farra, realizada num mato a mil metros da Estrada Salinas.
Porém, há dúvidas se a vítima
tenha morrido devido a ferimentos do animal ou por afogamento,
já que o corpo foi retirado de um riacho por amigos
durante a brincadeira.
Funcionários
do posto de saúde da Prefeitura foram chamados a ir
ao local por volta das 14h30. Policiais civis e militares
constataram a farra e detiveram duas pessoas, entre elas um
adolescente de 16 anos. O outro, Maicon Acácio Tavares,
21 anos, que também foi ferido durante a farra, disse
que cerca de 30 pessoas corriam atrás do boi, mas ele
não viu Paulo César ser atingido. "Ele
(Paulo César) morreu na água do riacho",
contou, na Delegacia.
A necrópsia
do Instituto Médico Legal de Joinville deverá
apontar a causa da morte. Há suspeita que os farristas
estavam embriagados. Odete dos Santos, mãe de Paulo
César, contou que o filho era aficcionado pela farra-do-boi
e já havia se machucado em anos anteriores. A vítima
trabalhou como salva-vidas e bombeiro voluntário.
A expectativa
pela farra-do-boi agitou os moradores dos municípios
de Penha e Navegantes durante o fim de semana. Apesar de ilegal,
a tradição é comum nesta época
do ano. No sábado, na praia de São Miguel, em
Penha, desde cedo o clima era de preparação
para a realização da farra. Os organizadores
só não soltaram o boi nas ruas - como já
aconteceu três vezes neste ano - devido à dificuldade
em comprar o animal e pelo receio da ação da
PM.
Os farristas
disseram que o boi é trazido de Itajaí por R$
1 mil, mas como arrecadaram R$ 900,00 não conseguiram
trazê-lo. Nos pontos de acesso às praias, policiais
militares faziam blitz para impedir a entrada dos animais
e vistoriavam todos os veículos de carga que passavam
pela região.
Helicóptero
usado para tentar impedir prática
Porto
Belo/Balneário Camboriú - A Polícia Militar
teve muito trabalho durante o final de semana para coibir
a farra do boi. Na madrugada de sábado, a polícia
de Porto Belo, no Litoral Centro/Norte catarinense, interceptou
um caminhão que estava seguindo para a praia do Araçá.
Apesar do motorista do caminhão estar com a documentação
do animal em ordem, os policiais o fizeram retornar com o
animal para o município de Tijucas. Mesmo com a intensa
fiscalização, os policiais não conseguiram
evitar que a farra acontecesse na praia do Araçá.
Em Balneário
Camboriú, a polícia recebeu informação
de que a farra seria realizada na praia de Taquaras e utilizou
o helicóptero Águia para coibir brincadeira,
que acabou não acontecendo.
Na praia
do Araça, no sábado, por volta das 17h30, cerca
de 70 pessoas "brincavam" com o boi. Quando os policiais
chegaram no local, os farristas fugiram e ninguém soube
informar quem era o proprietário do animal. Com as
patas traseiras bastante machucadas, o boi foi levado para
um sítio, no interior de Porto Belo, até que
o dono do animal seja identificado. (Aline Machado Parodi,
especial para A Notícia)
Farra
do boi causa morte em Santa Catarina
publ:07/04/2003
www.clickrbs.coml
canal:Zero Hora,
A farra
do boi fez mais uma vítima na tarde de ontem, no bairro
Salina, em Barra do Sul, norte de Santa Catarina. Paulo Cesar
da Silva, 25 anos, foi encontrado morto por volta das 14h.
No local, a Polícia Civil deteve dois rapazes, um de
16 anos e o outro de 21, que estariam participando da atividade
irregular. Segundo a polícia, o boi teria acertado
o peito de Silva com a cabeça.
Farrista
morre em Barra do Sul
publ:06/04/2003
www.clickrbs.coml
Um farrista
morreu na tarde deste domingo, 6, ao ser atingido no peito
e na cabeça por um boi. Paulo Cesar da Silva, de 25
anos, foi encontrado morto por volta das 14h com manchas roxas
no corpo e sangue no nariz e na boca no bairro Salinas, em
Barra do Sul, norte do Estado.
No local,
a Polícia Civil deteve dois homens, um menor de 16
anos e um outro de 21 anos, que participavam da farra do boi.
Os detalhes do acidente não foram relatados nos depoimentos,
mas em conversa com um dos policiais, o menor teria dito que
o farrista caiu em uma vala com água, onde ficou por
algum tempo antes de ser retirado.
A polícia
ainda informou que os dois homens detidos estavam embriagados
e foram levados a um posto médico antes de conseguirem
prestar depoimento. O boi fugiu e até o início
da noite ainda não tinha sido preso.
Boi
usado em farra é sacrificado devido aos ferimentos
publ:31/03/2003
canal:Noticias, tema:Crime
www.clickrbs.com
Na madrugada
desse domingo, 30, a Polícia Militar (PM) teve que
sacrificar um boi ferido gravemente durante uma farra. A ocorrência
foi registrada na Praia de Taquaras, em Balneário Camboriú,
no litoral norte.
O comandante
do 12† Batalhão da PM, tenente-coronel Marlon Jorge
Tesa, informa que os policiais foram acionados por uma moradora
que não participava da manifestação e
se sentia ameaçada. Quando chegaram no local, cerca
de 100 pessoas participavam da farra do boi, porém
quase todos se embrenharam em um matagal ao avistar a guarnição
policial. Não foi possível identificar o proprietário
o animal.
Quatro manifestantes foram detidos por crime ambiental e encaminhados
para a Delegacia de Polícia , disse o comandante.
Já em Navegantes, também no litoral norte, policiais
militares tiveram a viatura apedrejada na Praça Central
do município ao tentar coibir a manifestação.
As informações são do Jornal de Santa
Catarina.
Coluna
de Informe Especial
Informe Especial, publ:31/03/2003
canal:Zero Hora,
www.clickrbs.coml
Em Santa
Catarina, a lei que proíbe a Farra do Boi não
assusta os aficionados. Na Praia dos Ganchos, em Governador
Celso Ramos, um bezerro, assustado, acabou caindo no mar.
Pescadores buscaram o animal de barco e prosseguiram a farra
sem pestanejar

Foto:
divulgação / Agência RBS
PM
intensifica barreiras contra farra do boi
publ:27/03/2003
Click RBS canal:Noticias, tema:Geral
A partir
deste final de semana, dias 29 e 30, a Polícia Militar
(PM) está em alerta para coibir qualquer farra do boi
que for realizada na Grande Florianópolis e litoral
norte. Policiais vão realizar barreiras em vários
pontos das localidades onde ocorre tradicionalmente essa manifestação,
proibida por lei.
Em Florianópolis,
as atenções ficarão concentradas nas
regiões do Pantanal, sul da Ilha e praias do norte,
como Ingleses e Costão do Santinho. A PM esconde os
detalhes da operação, mas revela que haverá
uma fiscalização nos veículos que transportam
cargas vivas.
Em outras
cidades, como São José, Tijucas, Bombinhas,
Porto Belo, Itapema e Governador Celso Ramos, a tática
da polícia é a mesma.
Nós
vamos aplicar a lei, reprimindo qualquer manifestação.
Estamos com levantamento aerofotogramétrico das regiões
onde ocorre essa tradição e iremos vigiar esses
locais com maior intensidade nesse período que antecede
a Páscoa falou o comandante do 7°Batalhão,
major Manoel Gomes Filho, ao Diário Catarinense.
De acordo
com o comandante do 12° Batalhão de Balneário
Camboriú, Marlon Teza, nesse ano foram registradas
dezoito ocorrências de farra do boi na região.
O número, segundo ele, acompanha a média do
mesmo período do ano passado.
No início
da semana, a RBS TV mostrou imagens de uma farra do boi em
Tijucas, no litoral norte, onde até mesmo o vice-prefeito
da cidade, Nilton de Brito (PPB) teria participado da tradição.
As casas e até mesmo prédios públicos
do local escolhido para a farra chegaram a ser cercados, para
impedir que o boi causasse prejuízos. O caso está
sendo investigado.
Polícia
promete vigia rigorosa à farra do boi
Jornal
de Santa catarina 22/03/2003
A Polícia
Militar (PM) promete intensificar a fiscalização
para tentar coibir a farra do boi, tradição
açoriana praticada principalmente durante a Quaresma.
O sub-comandante da PM no Estado, coronel Roque Heerdt, diz
que o efetivo nos locais onde é comum a brincadeira,
como Porto Belo e Bombinhas, no litoral centro-norte, e Governador
Celso Ramos, na Grande Florianópolis, será ampliado.
A entrada
de animais nessas cidades será monitorada durante a
Semana Santa. Segundo o comandante do 12° Batalhão
da PM de Balneário Camboriú, tenente-coronel
Marlon Jorge Teza, além do efetivo daquela região,
20 policiais vão reforçar a fiscalização.
As informações são do Jornal de Santa
Catarina
Boi
morre afogado durante farra em Bombinhas
Zehora hora 19/03/03
Um boi
morreu afogado no mar, na noite de terça, dia 18, em
Bombinhas, litoral norte de Santa Catarina. Ninguém
soube dizer a quem pertencia o animal, que fugiu para o mar
durante uma farra do boi. Quando a Polícia Militar
chegou ao local, os farristas fugiram. Foi o segundo incidente
envolvendo participantes de farra do boi durante o período
de quaresma no litoral catarinense este ano.
A farra
do boi foi proibida pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em
1999, mas já vinha sendo controlada desde 1997, quando
o STF proibiu a manifestação com animais soltos
nas ruas. Em locais fechados, a farra era liberada. Depois
de uma série de denúncias de maus-tratos a animais,
a manifestação foi proibida em qualquer situação.
Boi
perseguido por farristas invade residência em Penha
click RBS 17/03/03
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Farristas
provocaram estragos em residência e comércio
no Bairro Gravatá, no município de Penha,
Norte de Santa Catarina, na madrugada deste domingo. A
farra do boi estava sendo praticada por dezenas de pessoas
pelas ruas da cidade. Durante a perseguição,
o animal bateu e quebrou a porta de vidro da loja do comerciante
Angelino Lopes, de 46 anos, e em seguida, entrou no quintal
da casa de Maria Ieda Nunes Aranda, destruindo o muro
(foto) e deixando marcas de sangue nas paredes do imóvel.
Só quem presencia esta manifestação
tem noção de como é violenta. Nunca
senti tanto medo disse a dona de casa Maria Ieda,
49 anos. Sua filha Aline, que está grávida
de oito meses, acrescenta que a situação
é muito revoltante e questiona quem vai pagar o
prejuízo. O comerciante Angelino Lopes faz a mesma
indagação. O que eles chamam de tradição
além de ter me incomodado vai me custar cerca de
R$ 2 mil. Segundo o comandante do destacamento da Polícia
Militar em Penha, Carlos Maia, os policiais receberam
a denúncia da violência por volta de 3h deste
domingo e quando a guarnição chegou ao local
já não haviam mais farristas apenas os estragos.
Ninguém foi detido. |
Denúncia
de farra do boi na Barra da Lagoa mobiliza polícia
click RBS 17/03/03
Uma viatura
da Polícia Militar foi acionada às 20h30min
deste domingo para atender uma denúncia de farra do
boi na Barra da Lagoa, na Capital. Neste fim de semana, foram
registradas diversas ocorrências em Florianópolis
e outras cidades do Estado, como Governador Celso Ramos (foto),
Porto Belo, Navegantes, entre outras.

Ferido
em farra do boi está internado
As
informações são da RBS TV e do Jornal
de Santa Catarina 10/03/03
Clenilson de Oliveira Campos, de 26 anos, que se feriu sábado
durante uma farra do boi em Bombinhas, litoral norte do Estado,
continua internado no Hospital São José, até
a tarde de segunda, dia 10. Ele foi ferido nas nádegas
e não tem previsão de alta. O pedreiro José
de Souza, de 36 anos, também se feriu mas já
foi liberado. De acordo com a polícia, cerca de 150
pessoas corriam atrás de um boi na praia de Bombas.
Comum
em municípios de forte colonização açoriana,
a prática da farra do boi é proibida por lei
em todo o Estado. No ano passado, a Polícia Militar
(PM) montou barreiras nos principais acessos das cidades para
coibir o transporte de animais. Este ano, segundo a PM, não
houve uma ação específica e a fiscalização
está sendo feita de acordo com as denúncias
da comunidade. As informações são da
RBS TV e do Jornal de Santa Catarina
Farra
do Boi deixa feridos em Santa Catarina
Jornal Zero Hora Edição n° 13722
16/03/03
Duas pessoas ficaram feridas durante uma Farra do Boi
em Bombinhas (SC). Clenilson de Oliveira Campos, 26 anos,
está internado no Hospital São José,
em Tijucas, com ferimentos nas nádegas, e o pedreiro
José de Souza, 36 anos, foi atendido no Hospital Santa
Inês, em Balneário Camboriú, onde levou
pontos no pescoço. Ambos foram socorridos por uma ambulância
do Corpo de Bombeiros de Itapema, na Praia de Bombas, no sábado
à tarde.
No local do acidente, cerca de 150 homens e mulheres corriam
atrás de um boi que acabou se refugiando em um matagal.
Comum em municípios de colonização açoriana,
a prática da Farra do Boi é proibida por lei
em todo o Estado.